Opinanço

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quarta-feira, outubro 19, 2005

Corrupção

in Diário Económico e Público

A organização Transparência Internacional (TI), com sede em Berlim, divulgou, ontem, a sua lista anual de corrupção, na qual Portugal manteve a 26ª posição que já detinha no ano passado.

Por seu turno, a Alemanha perdeu um lugar, situando-se agora na 16ª posição na escala decrescente de 159 países, liderada pela Islândia. Apesar do índice focar a corrupção no sector estatal, os analistas do TI apontam um aumento dos casos de suborno e corrupção no sector privado alemão, nomeando empresas de renome mundial como a BMW, a Daimler Chrysler, a Infineon, a Volkswagen e a Siemens. A TI realça que apenas 5% dos casos de suborno chegam ao conhecimento público.

Os dois outros principais parceiros comerciais de Portugal, Espanha e França, situaram-se, respectivamente, na 23ª e 18ª posição. Em 2004, França e Espanha detinham, o 22º lugar em ex-aequo.O índice da TI é compilado através de inquéritos levados a cabo junto de homens de negócios, empresários, analistas e pesquisadores em todo o mundo.

Mais de dois terços dos 159 países analisados pelo último relatório de percepção de corrupção elaborado pela organização Transparência Internacional (TI) obtiveram uma nota inferior a cinco numa escala que vai até 10, indicando importantes níveis de corrupção na maioria dos países analisados. Setenta países, entre os quais alguns dos mais pobres do mundo, não conseguiram mesmo ultrapassar a nota três, indicando graves problemas de corrupção.

O relatório de 2005, ontem publicado, aponta a Islândia como o país menos afectado pela corrupção (nota 9,7); no outro extremo da tabela estão o Bangladesh e o Chade, empatados com 1,7. Portugal aparece na 26.ª posição, com um índice de corrupção correspondente a 6,5, ligeiramente atrás da Espanha (7) ou da França (7,5), por exemplo.

"A corrupção é a principal causa da pobreza e também uma barreira para a ultrapassar", afirmou o presidente da TI, Peter Eigen. "Os dois "monstros" alimentam-se um ao outro, encerrando as populações num ciclo de miséria. A corrupção deve ser vigorosamente combatida se o objectivo for fazer realmente diferença para libertar as pessoas da pobreza." Para este estudo, a TI concentra-se na corrupção no sector público e define corrupção como o abuso de organismos públicos para obter ganhos privados. A informação recolhida relata situações de abuso dos poderes públicos para beneficiar privados - por exemplo, a aceitação de subornos por funcionários públicos - sem distinguir entre corrupção administrativa ou política nem entre pequena ou grande corrupção.Altos e baixosO relatório da TI aponta para um aumento da percepção de corrupção entre 2004 e 2005 em países como Costa Rica, Gabão, Nepal, Papua Nova Guiné, Rússia, Seychelles, Sri Lanka, Suriname, Trindade e Tobago e Uruguai. Pelo contrário, identifica progressos na luta contra o problema em países como Estónia, França, Hong Kong, Japão, Jordânia, Cazaquistão, Nigéria, Qatar, Taiwan e Turquia.Os responsáveis pelo relatório alertam para a inclusão de apenas 159 países neste relatório devido à dificuldade de obter informações independentes em muitos outros - alguns deles reconhecidamente entre o grupo dos mais permeáveis à corrupção. O relatório é baseado em informações prestadas por analistas e homens de negócios, reunidos em 16 grupos diferentes e distribuídos por dez instituições independentes.

OS MENOS CORRUPTOS1.º Islândia 9,72.º Finlândia 9,63.º Nova Zelândia 9,64.º Dinamarca 9,55.º Singapura 9,4

26.º PORTUGAL 6,5

OS MAIS CORRUPTOS158.º Bangladesh 1,7157.º Chade 1,7156.º Turquemenistão 1,8155.º Birmânia 1,8154.º Haiti 1,8