As injustiças do Saber
Eu sei. Tu sabes. Ele sabe. Nós sabemos. Vós sabeis. Eles sabem. Anda uma pessoa 5 anos na faculdade pa chegar à conclusão que o verbo devia ser sempre conjugado na negativa: Eu não sei. Tu não sabes. Ele não sabe. Nós não sabemos. Vós não sabeis. Eles não sabem. É que não saber é bem melhor do que saber. É muito mais giro! Alguém nos explica e não somos nós a ter de explicar a quem não sabe. Olha tudo com aquele ar incrédulo, como se fossemos de outro planeta! Conservamos aquele estatuto de inocência, ingenuidade!
Ora por exemplo, eu sei que fumar mata, mas eu fumo na mesma.... Não vivia melhor na ignorância?
Ou eu sabia à partida que o Carmona ía ganhar Lisboa, mas eu fui votar na mesma... Não teria sido bem mais divertido tar na espectativa de ver os resultados?
E quando não se acha que se saiba mas toda a gente à nossa volta SABE que nós sabemos? É frustrante. É porque pior que saber ou não saber as coisas é saber que se está errado. Ou que alguém nos diga que estamos errados. O pretensiosismo de dizer ao outro "olha, filho, eu sei que tu não sabes, mas o que tu sabes não é saber". E quase sempre a resposta é "olha que não, eu sei que sei", e fica-se indefinidamente à espera entre "Sôtor, Sôtor" do Gato Fedorento (que seria "sei sim,
sei sim" e "eu é que sei, eu é que sei") até que se vença pelo cansaço ou um dado ciêntífico fantástico qualquer venha resolver a questão.
Ou eu sabia à partida que o Carmona ía ganhar Lisboa, mas eu fui votar na mesma... Não teria sido bem mais divertido tar na espectativa de ver os resultados?
E quando não se acha que se saiba mas toda a gente à nossa volta SABE que nós sabemos? É frustrante. É porque pior que saber ou não saber as coisas é saber que se está errado. Ou que alguém nos diga que estamos errados. O pretensiosismo de dizer ao outro "olha, filho, eu sei que tu não sabes, mas o que tu sabes não é saber". E quase sempre a resposta é "olha que não, eu sei que sei", e fica-se indefinidamente à espera entre "Sôtor, Sôtor" do Gato Fedorento (que seria "sei sim,
sei sim" e "eu é que sei, eu é que sei") até que se vença pelo cansaço ou um dado ciêntífico fantástico qualquer venha resolver a questão. Pior... Quando não se sabe o que se há-de saber? Ora por exemplo... A França. A França é à direita ou para cima de Espanha? Não, é que reparem. A França é prá direita, mas também é pra cima. Agora é mais pra cima ou mais prá direita? É que pra cima é a Irlanda e prá direita é a Sardanha. Então? Em que é que ficamos? Se tiver no meio del Campo Gránde (não esquecer a pronuência!) de España uma placa a dizer "França" como no nosso Campo Grande em Lisboa a dizer "Espanha" ía apontar pa onde? Concluo que não sei o que hei-de saber em relação à localização geográfica da França e da Espanha. E acredito que se algum professor de Direito influênciar um professor de Geografia a fazer um estudo pa isto... A doutrina ía dar pano pra mangas... E ninguém ía concluir nada! E alguém ía chumbar numa oral por dizer que a França é à direita da Espanha, quando o regente achasse que era pra cima. (Para além de provavelmente ir confundir extremamente os Americanos que já têm dificuldades suficientes em saber que Espanha e França são países, quanto mais saberem onde ficam. Sorte têm eles que não sabem nada... E reparem como são a maior (aham...) potência mundial!)
É o que eu digo, mais vale reduzirmo-nos a uma velha máxima cuja tradução perdida nos tempos devia dizer "Só sei que não sei nada"...Porque eu fiquei muito mais entusiasmada quando vi a Fátinha, o Isaltino e até o outro caramelo de Gôndomar vitoriosos. Não, a sério, arguídos, fugitivos, desafiadores da organização política... Mas de certeza excelentes pessoas e grandes e competentes dirigentes... Não sabia que ganhavam... Seguido do qual não sabia que o Avelino ía perder!
Resta-me só perguntar... Será que os nossos concidadãos sabem que não sabem aquilo que fizeram? ;)
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